
Mário
Helder da Silva Faria licenciou-se em pintura pela Escola Superior
de Belas Artes de Lisboa no ano de 1970 e embora a sua carreira profissional
tenha seguido pelo ensino a azulejaria andou sempre ao seu lado como complemento.
Em 1984 especializou-se em Pintura Cerâmica / Azulejaria Clássica
na Fábrica de Cerâmica de Constância em Lisboa, onde
colaborou como assessor técnico-artístico até 1990.
Foi assistente do arquitecto João Abel Manta no projecto cerâmico
da Avenida de Ceuta tendo também sido responsável pela execução
do mesmo. Produziu vários painéis e criou padrões para
diversas obras espalhadas pelo país: Oura Praia Hotel, Balalaia Hotel,
Duoprol – Vilamoura, Pine Cliff Hotel, Casa de Fados “A Viela”
– Lisboa, várias dependências do Banco Totta & Açores.
Foi monitor de cursos de Azulejaria Clássica, Técnicas de
Pintura em Azulejaria Tradicional e Azulejaria Tradicional Portuguesa.
Participou em diversos congressos entre os quais o Congresso / Exposição
Mundial de Azulejaria nos Estado Unidos da América, patrocinado pela
ELON Inc. de Nova Iorque para a qual o autor criou uma colecção
de 80 azulejos. Através de um subsídio da Fundação
Calouste Gulbenkian esteve presente na homenagem internacional a Picasso,
realizada em Paris.
Entre os prémios que recebeu contam-se:
- 1º Prémio do Cartaz – Festival Internacional de Cinema
de Tomar, 1984.
- 1º Prémio Concurso Nacional de Design Cerâmico, Caldas
da Rainha, 1991.
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Notas sobre as obras em Exposição:
Os preconceitos com que, durante uma boa parte do séc. XX, o meio
artístico e intelectual olhou para o Azulejo, estão hoje ultrapassados,
e à Azulejaria é cada vez mais reconhecida a merecida classificação
da mais característica e original expressão artística
portuguesa. Esse reconhecimento o Azulejo deve-o ao trabalho incansável
de artistas, uns conhecidos, outros completamente anónimos, que durante
mais de 500 anos souberam responder com o azulejo às exigências
específicas de cada época, através de um casamento
perfeito entre o azulejo e a arquitectura, entre a inovação
e a tradição, baseado na permanente exploração
das potencialidades técnicas da cerâmica azulejar.
É nesta linha que deverá ser visto o trabalho de Helder Silva,
na linha do trabalho também desenvolvido por outros artistas contemporâneos
como Manuel Cargaleiro ou Querubim Lapa – dois dos muitos responsáveis
pela reconquista do lugar do Azulejo no panorama da arte do séc.
XX –, apenas não reconhecido pela crítica dada a discrição
com que o artista se tem mantido no mundo da arte e da azulejaria portuguesas.
As obras agora expostas não são mais que a divulgação
de um trabalho de pesquisa técnica e artística, regular e
consistentemente desenvolvida pelo artista durante mais de vinte anos, onde
a inovação na tradição ocupa o lugar central.
Servindo-se de dois temas que lhe são caros, a mulher e a padronagem
tradicional da azulejaria portuguesa – com motivos que vão
desde a azulejaria hispano-árabe, até padrões contemporâneos
criados por si, passando pelos motivos do séc. XVII e pelas fachadas
lisboetas dos séculos XIX e XX –, Helder Silva transporta-nos
para um mundo onírico, quase abstracto, mas pleno de sensualidade,
onde a figura feminina apenas nos é sugerida por algumas, poucas,
linhas antropomórficas, inteligente e subtilmente associadas às
transições dos diversos padrões utilizados ou das texturas
dos próprios azulejos, lisos e relevados, também eles na linha
da tradição da azulejaria portuguesa.
________________________________________________António
Quaresma

Ricardo CasimiroBiografia
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